quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

SOBRE TODAS AS COISAS QUE EU ...

Então vamos lá.
Seguinte ... cancelem as férias, o Natal, todas as comemorações possíveis e tudo mais o que te possa fazer sorrir.
Sim, é isso que os posts do Facebook direta ou indiretamente vem 'pregando' de umas semanas pra cá.
O país está em crise, pedido de Impeachment, investigações, o dólar pela hora da morte ... devido a isso as críticas são direcionadas a quem quer uma roupa nova no Natal, a quem participa de amigo secreto, a quem gasta com viagem nas férias, a quem comemora com seu time, a quem é fiel ao companheiro ... Afinal de contas, a culpa é de quem ainda consegue ser feliz diante de tanta coisa ruim.
Os valores estão tão distorcidos, que se você consegue enxergar algo de bom, ver uma luz na escuridão e tenta contagiar os demais, você é o errado.
Porque você já não tem mais o direito de demonstrar coisas boas, é criticado por isso.
Agora faça um comentário sobre uma fofoca pra você ver ... aí sim você é bom, o ibope é positivo a quase 100%.
Como você pode postar uma foto sua com seu companheiro, felizes, se divertindo enquanto a Joelma chora a traição do Chimbinha?
Como você pode comemorar a vitória do seu time enquanto pediram o Impeachment da Dilma?
Como você pode querer uma roupa nova no Natal enquanto crianças vivem sujas e com roupas surradas e passam fome na Etiópia?
Como você pode fazer uma viagem com seus filhos nas férias quando o dólar está R$ 4,00?
Já disse e repito que essa solidariedade virtual e de faixada me irrita profundamente.
Por acaso sabem o que se passa atrás de cada ser humano?
Pois eu digo ... provavelmente enquanto alguns passam a vida criticando a felicidade alheia, os criticados passaram a mesma vida trabalhando e programando cada gasto, para que possam viajar com sua família e desfrutar de momentos inesquecíveis.
Enquanto alguns criticam a comemoração alheia, ensinando aos seus filhos a amargura, o criticado está aproveitando o momento do futebol com seu filho, ensinando o que é competir, ganhar e perder e curtindo a comemoração de maneira que tenham história a contar, com risos, abraços e beijos.
Enquanto alguns estão tão preocupados em apontar o que é ruim no país, no mundo, nas pessoas ... outros estão com sua família decorando a casa para o Natal e planejando o que será o pedido do papai noel neste ano.
Enquanto criticam quem quer roupas novas no Natal, não sabem que por diversas vezes essas pessoas fizeram doações de roupas a mais de uma família em vários momentos da vida.
Eu aposto que muitos desses 'críticos' solidários a humanidade, que postam imagens de crianças negras e sofridas, pra tentar comover nas redes sociais, devem ter mandado gifs em Power Point para seus amigos, com imagens Natalinas, com muitas crianças lindas, rosadinhas e com roupinhas de príncipes e princesas ...
Aliás, quando levarem seus filhos para ver o papai noel nos shoppings e o papai noel perguntar o que querem de Natal, digam para que peçam o Impeachment.
Porque acabar com o sonho dos outros e não com os seus, não seria justo, não é mesmo?!
Que esse Natal traga consciência ao ser humano, que os seres sejam mais humanos, agindo e não falando, que critiquem menos e se unam mais, que estendam o tapete ao invés de puxar, que entendam que cada um tem o seu lugar, basta conquistar.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

É preciso ir embora

"É preciso ir embora.
Ir embora é importante para que você entenda que você não é tão importante assim, que a vida segue, com ou sem você por perto. Pessoas nascem, morrem, casam, separam e resolvem os problemas que antes você acreditava só você resolver. É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo. Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu ex-patrão, nem sua pegada, nem ninguém. Parece besteira, mas a maioria de nós tem uma noção bem distorcida da importância do próprio umbigo – novidade para quem sofre deste mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lide com isso.
É preciso ir embora.
Ir embora é importante para que você veja que você é muito importante sim! Seja por 2 minutos, seja por 2 anos, quem sente sua falta não sente menos ou mais porque você foi embora – apenas sente por mais tempo! O sentimento não muda. Algumas pessoas nunca vão esquecer do seu aniversario, você estando aqui ou na Austrália. Esse papo de “que saudades de você, vamos nos ver uma hora” é politicagem. Quem sente sua falta vai sempre sentir e agir. E não se preocupe, pois o filtro é natural. Vai ter sempre aquele seleto e especial grupo que vai terminar a frase “Que saudade de você…” com “por isso tô te mandando esse áudio”; ou “porque tá tocando a nossa música” ou “então comprei uma passagem” ou ainda “desce agora que tô passando aí”.

Então vá embora. Vá embora do trabalho que te atormenta. Daquela relação que você sabe não vai dar certo. Vá embora “da galera” que está presente quando convém. Vá embora da casa dos teus pais. Do teu país. Da sala. Vá embora. Por minutos, por anos ou pra vida. Se ausente, nem que seja pra encontrar com você mesmo. Quanto voltar – e se voltar – vai ver as coisas de outra perspectiva.
As desculpas e pré-ocupações sempre vão existir. Basta você decidir encarar as mesmas como elas realmente são – do tamanho de formigas."

- by
blog Antônia no Divã. -

quarta-feira, 3 de junho de 2015

DISPENSÁVEL


Definição de 'dispensável' segundo o dicionário: "Que se pode ser dispensado; sem muita importância, indiferente a quem possa obter."

É incrível como somos surpreendidos com a atitude das pessoas a cada dia. Pessoas que fazem parte do nosso dia a dia, mas não da convivência propriamente dita, e que nos surpreendem com gestos, atitudes, gentilezas, favores prestados sem a menor obrigação ou interesse, apenas pelo prazer de fazer algo por nós, por alguém.
Em contra partida, as pessoas mais próximas, que teórica ou obviamente deveriam conhecer nossas necessidades, nossas angustias, nossas lutas diárias, simplesmente se omitem.
A cada dia demonstram que não se importam, não dão um passo a frente a favor do todo, só pensam em si, tem a visão limitada a seu próprio umbigo.
Com isso acabamos decepcionados, e bate um aperto de pensar que pessoas que gostamos tanto possam ser tão egoístas, tão pequenas. Só tomam a iniciativa de algo se o resultado lhe traz algum benefício - individual -, o pouco que fazem julgam ser glorioso, quando na verdade só o fazem por necessidade, nem por obrigação tão pouco por consideração. Vivem em função de recorrer aos outros, mas não doam um décimo de si. E tentamos alertar, consertar, mostrar o caminho, mas simplesmente não entendem, enxergam como querem, como convém para se defender e não admitir que possam estar errados ou precisando de um direcionamento.
Com tudo, a decepção passa, a tristeza passa, o sentimento ... passa também. 
Será que conseguem perceber o quanto estão se tornando dispensáveis?
Com o tempo passamos a enxergar de forma diferente e nos resta agradecer a essas pessoas, por estarem contribuindo tanto para nosso crescimento, para a nossa independência, mostrando a cada gesto, a cada ausência o quanto não precisamos delas pra absolutamente nada e o quanto podemos nos virar bem sem elas.
Acredito que pessoas assim nasceram para viver sozinhas, pois não tem a capacidade de compartilhar, de dividir, de respeitar, de abdicar, de se doar. Culpar, julgar não nos cabe (...)
E é tão bom o sentimento de ser importante para alguém, sentir que você é necessário para que pessoas vivam melhor. Saber que aconteça o que acontecer tem pessoas que não querem que você saia da vida delas por nada, pois a sua presença faz a diferença e é essencial!
Sinto pena de quem não tem essa sensação, esse sentimento de ser importante à alguém. 
Dói o peito ver que as pessoas se esforçam ao máximo para ser dispensáveis na vida das outras enquanto poderiam se dedicar a serem essenciais.


* Apenas divagando em pensamentos ...

- Keissy Santello -

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O que, de fato, é direito?

Desde o carnaval que penso sobre esse assunto, mas não houve tempo para que pudesse escrever sobre.
Bem, foram vários comentários em redes sociais sobre a grávida que desfilou no carnaval. Alguns apoiando, outros criticando e, claro, sempre levando em conta vantagens pessoais.
Li coisas absurdas, ao meu ponto de vista. Muitos dizendo que pessoas como ela não se dão ao respeito, que a gravidez é sagrada, que acham engraçado grávidas não viajarem de pé em ônibus e metrô, "furarem" fila em bancos, supermercados, etc e na hora de desfilarem se sentirem dispostas. Que deveriam perder o direito a preferencial.

Bem, é assim sem levar em conta as leis e sim a educação e o respeito que o ser humano deveria ter para com os outros. Pode-se ter certeza que uma grávida corre menos riscos de empurrões e cotoveladas na avenida desfilando do que em um metrô em horário de pico. Sem contar que ônibus e metrô tem freadas bruscas a todo tempo, mas enfim. Quanta ignorância!
Agora me pergunto: O que cada pessoa tem a ver com a vida da grávida que desfilou no carnaval?
Respondo: Nada!
A questão é o egoísmo e desrespeito.
"Ah se eu não tenho o 'direito' por lei de ir sentado no transporte público, porque ela deveria ter? Se eu tenho que aguardar 2 horas na fila do banco, por que ela não pode?"
Cada um olha para o seu próprio umbigo e para esconder sua ignorância acaba por tentar apontar algo que transfira sua responsabilidade para o outro.
Então será que deveríamos tirar o direito de preferencial dos idosos porque eles fazem caminhadas, porque eles fazem dança de salão e vão a bailes da saudade?
Será que deveríamos tirar o direto de preferencial dos deficientes porque eles participam das paraolimpíadas?
Será que a lei da preferencial deveria se estender para aqueles que sofrem de ignorância e falta de amor agudos?
Na visão de muitos preferencial se limita a um banco de cor diferente (fora dele estou a salvo), nessa mesma visão, preferencial é sinônimo de invalidez.
E isso vai longe, porque já vi um deficiente auditivo sentado no banco azul enquanto um rapaz sem os dois braços se equilibrava em meio a multidão em um vagão de metrô.

Me lembro quando eu estava grávida e fui para o forró. Estava na fila com meu esposo aguardando para entrar e a segurança me chamou e disse "mulher, você é preferencial, o que faz na fila?" Eu ri e disse que não me importava de ficar na fila e que eu estava ali para me divertir e não por necessidade. Então ela disse "entenda que não importa onde, é seu direito de preferencial, sempre que vier, pode entrar com um acompanhante sem aguardar na fila"
E grávida eu fui ao forró, viajei, fui pra balada, trabalhei muito, cuidei da casa e não parei um minuto.

Bom seria que não fosse necessário haver lei ou demarcações, que as pessoas simplesmente fossem humanas e solidárias.

Gravidez não é doença, idoso não é inválido e deficiente não é coitado, mas todos tem seus direitos protegidos por lei e fim.
- Keissy Santello -

terça-feira, 28 de abril de 2015

Pena de morte?!

Todos sabemos que hoje um brasileiro de 42 anos foi fuzilado na Indonésia, depois de ter sido condenado por tráfico de drogas. 
Pena de morte, eis um tema que me divide em opiniões e sentimentos.
De primeiro momento o que me vem a mente é que ninguém, NINGUÉM, tem o direito de tirar a vida de outra pessoa, seja ela quem for. Existem tantas formas de pena, de punição, de "pagar os pecados" ... A quem devemos dar o "poder" de decidir se esse ou aquele deve morrer e de que maneira?
Depois penso que tipo de "castigo" merece quem comete crimes hediondos, aqueles que estupram, matam, torturam, incitam ao uso de drogas. Esses que acabam com famílias, com sonhos, com planos, com vidas ...
No caso desse brasileiro executado na indonésia, tudo leva a crer que foi ele quem buscou seu destino, seu fim. Não pelo crime, mas por cometê-lo justamente em um país que tem como sentença a pena de morte.
E por que essa medida extrema?
Talvez porque essa tenha sido a única forma de manter o país em ordem, longe do tráfico, dentro das leis.
É, talvez ...
Talvez ele tenha buscado, talvez tenha merecido, talvez não houvesse outra forma.
Talvez.
E aí os "responsáveis" pelo nosso país criticam a ação e dizem ter como objetivo lutar para acabar com a pena de morte no mundo.
Ei, mas espera aí?
O cara saiu daqui pra vender drogas em um país que não era o dele, para "corromper" as pessoas de lá e não daqui!
Será que nos cabe o direito de contestar as leis da "casa alheia"?
Saímos então do talvez e entramos no "e se".
E se as leis funcionassem aqui no nosso país?
E se não houvesse corrupção, suborno e as penas fossem aplicadas devidamente sem fianças e afins?
Voltando para o talvez - Talvez se as coisas funcionassem aqui dentro, se as pessoas tivessem a educação devida, o respeito, o comprometimento, se cumprissem suas obrigações e aproveitassem as oportunidades com honestidade e não querendo levar vantagem. Talvez se houvesse responsabilidade social, política e pessoal. Talvez se houvesse caráter. Talvez esse brasileiro não tivesse tido a petulância de traficar em outro país ...
A culpa é de quem mesmo?
Da lei da Indonésia ou das leis que não se cumprem aqui?
A quem devemos delegar a responsabilidade por essa execução?

Continuo pensando que não temos o direito de tirar a vida de ninguém, mas também acho que devemos respeitar as leis, normas, costumes principalmente quando não são nossos.
E cada ser é responsável pelos seus atos e arca com as consequências de suas escolhas.


- Keissy Santello -

domingo, 19 de abril de 2015

Sobre Hoje


Bem o que importa é ver o seu time ganhando de maneira limpa, sem roubalheira, sem nada por de baixo do tapete, sem brigas. E foi um puta jogo, para os dois times (com o perdão do palavrão) ... O mais gostoso do jogo de hoje foi a emoção, o nervosismo, o estômago embrulhado, a tremedeira, pular no sofá. Foi ver meu filho torcendo e assistindo um jogo de futebol pela primeira vez, claro que em alguns momentos um pouco confuso, porque a irmã é Corinthiana =D, mas foi muito gostoso e divertido. E teria sido mesmo que tivéssemos perdido, porque nada paga esses momentos.
Aí a gente está feliz, comemorando e vê uma série de comentários no face "nossa, é só o Palmeiras ganhar e aparecem um monte de palmeirenses no face" ... Ôpa, claro né cara pálida! Se ganhamos, vamos aparecer. Assim como os adversários aparecem quando também ganham. A gente vive escutando "ganhamos em cima da porcada de novo" e quando ganhamos não podemos nos manifestar. Bem interessante isso.
Mas na verdade, a questão não é o comportamento quando se ganha (que é óbvio), mas sim quando se perde.
Nós perdemos, engolimos o choro e ficamos quietos, aguardando o momento de comemorar. E só tiramos um barato do adversário devido a serem chatos e inconvenientes, pois se assim não fossem, seria somente comemoração sem provocação.
Enquanto outros, quando perdem, sentem a necessidade de justificar a perda acusando e criticando a comemoração alheia.

Futebol é assim, um dia se perde, no outro se ganha.
É fato que meu time não tem ganhado em placar tanto quanto outros, mas hoje o dia foi nosso e falem o que quiser, nada nos tira essa alegria. Era só terem feito o 3º gol e não teria pênaltis ué! :)

Ganhamos nos pênaltis?
Siiiiim
Foi do Corinthians?
Siiiiim
Foi na arena deles?
Siiiiim
Estavam invictos?
Siiiiim
Valia vaga na final?
Siiiiim


‪#‎semmais‬ ‪#‎palmeiras‬ ‪#‎manchaverde‬ ‪#‎santello‬

O que veremos aqui

Bem, vou tentar organizar minhas redes e usar cada qual para sua finalidade. Se é que rede social tem finalidade específica obrigatória.
A verdade é que sinto falta de expor minha opinião descarada sobre algumas coisas, meu ponto de vista sobre polêmicas (adoro polêmicas), de fantasiar uma história e a transformar em postagem, como se fosse retrato da vida real.
No Facebook acabo sendo vetada, digamos assim, pois julgam não ser lugar para exposição. O que acontece é que as pessoas do circulo Facebook’ano interpretam as coisas como querem e conforme seu estado de espírito.
Quem me conhece, de verdade, sabe que quando eu posto algo falando sobre o dia a dia no transporte público (por exemplo), não é reclamação, mas uma forma “divertida” de mencionar o comportamento das pessoas e os fatos cotidianos. Quando posto algo falando de sentimentos, não necessariamente é o que estou sentindo, mas muitas vezes algo que já me identifiquei em algum momento da vida ou ainda algo que eu sei que muitas pessoas se identificam. A não ser que escreva explicitamente que EU estou sentindo “tal coisa”, mas enfim …
Gosto de expor opiniões, gosto de compartilhar pensamentos (muitas vezes eles ajudam outras pessoas), gosto de “brincar” com situações do dia a dia. Acho interessantíssimo promover debates e ter conhecimento da opinião alheia.
É muito provável que eu utilize esse espaço para expor minha opinião sobre muitas coisas, compartilhar situações e propor reflexões.
Então o que veremos aqui serão Fragmentos … 


IMPERFEITA


Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, ‘mãe’, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação! E, entre uma coisa e outra, leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo
: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero. Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho. Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um _abajour _novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas. Tempo para voltar a estudar. Tempo para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir. Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal. Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra. A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar 'não sei o quê’ para 'não sei quem’. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela. Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.
  • Martha Medeiros - Jornalista e Escritora