sexta-feira, 1 de maio de 2015

O que, de fato, é direito?

Desde o carnaval que penso sobre esse assunto, mas não houve tempo para que pudesse escrever sobre.
Bem, foram vários comentários em redes sociais sobre a grávida que desfilou no carnaval. Alguns apoiando, outros criticando e, claro, sempre levando em conta vantagens pessoais.
Li coisas absurdas, ao meu ponto de vista. Muitos dizendo que pessoas como ela não se dão ao respeito, que a gravidez é sagrada, que acham engraçado grávidas não viajarem de pé em ônibus e metrô, "furarem" fila em bancos, supermercados, etc e na hora de desfilarem se sentirem dispostas. Que deveriam perder o direito a preferencial.

Bem, é assim sem levar em conta as leis e sim a educação e o respeito que o ser humano deveria ter para com os outros. Pode-se ter certeza que uma grávida corre menos riscos de empurrões e cotoveladas na avenida desfilando do que em um metrô em horário de pico. Sem contar que ônibus e metrô tem freadas bruscas a todo tempo, mas enfim. Quanta ignorância!
Agora me pergunto: O que cada pessoa tem a ver com a vida da grávida que desfilou no carnaval?
Respondo: Nada!
A questão é o egoísmo e desrespeito.
"Ah se eu não tenho o 'direito' por lei de ir sentado no transporte público, porque ela deveria ter? Se eu tenho que aguardar 2 horas na fila do banco, por que ela não pode?"
Cada um olha para o seu próprio umbigo e para esconder sua ignorância acaba por tentar apontar algo que transfira sua responsabilidade para o outro.
Então será que deveríamos tirar o direito de preferencial dos idosos porque eles fazem caminhadas, porque eles fazem dança de salão e vão a bailes da saudade?
Será que deveríamos tirar o direto de preferencial dos deficientes porque eles participam das paraolimpíadas?
Será que a lei da preferencial deveria se estender para aqueles que sofrem de ignorância e falta de amor agudos?
Na visão de muitos preferencial se limita a um banco de cor diferente (fora dele estou a salvo), nessa mesma visão, preferencial é sinônimo de invalidez.
E isso vai longe, porque já vi um deficiente auditivo sentado no banco azul enquanto um rapaz sem os dois braços se equilibrava em meio a multidão em um vagão de metrô.

Me lembro quando eu estava grávida e fui para o forró. Estava na fila com meu esposo aguardando para entrar e a segurança me chamou e disse "mulher, você é preferencial, o que faz na fila?" Eu ri e disse que não me importava de ficar na fila e que eu estava ali para me divertir e não por necessidade. Então ela disse "entenda que não importa onde, é seu direito de preferencial, sempre que vier, pode entrar com um acompanhante sem aguardar na fila"
E grávida eu fui ao forró, viajei, fui pra balada, trabalhei muito, cuidei da casa e não parei um minuto.

Bom seria que não fosse necessário haver lei ou demarcações, que as pessoas simplesmente fossem humanas e solidárias.

Gravidez não é doença, idoso não é inválido e deficiente não é coitado, mas todos tem seus direitos protegidos por lei e fim.
- Keissy Santello -

Um comentário:

Sani Issy disse...

Adorei, acredito que mesmo com a intenção de ajudar, as demarcações e os direitos preferenciais atrapalham.
Não precisa ter assento preferencial, ou fila ou seja o que for, o que precisamos é ser mais humanos e solidários.